O momento da criação
      A arte da cantada não é simples nem elementar. A mulher deve se sentir sonhada, fantasiada. Nem é verdade que deva se pensar como única. Não é amor, é conquista, sedução. É uma estratégia de sorrisos, cinismos esclarecidos, vai-véns e variações ora suaves ora bruscas de andamento. Assustar é a última, mas nunca descartada solução.
      É assim a música do 3 na Massa. Sussurrada às vezes, ou melosa ou melodiosa, as cantoras se revezam e mudam o rumo de uma mesma prosa por calor, suor, arrepio, contato. Thalma abre a noite com Enladeirada, das melhores do disco. Entrecortado por vinhetas de atrizes como Leandra Leal, Simone Spoladore ou Alice Braga projetadas por cima das peles de cada uma das meninas convidadas, o show vai assim sem pressa. Sabendo pra onde ir, mas sem certeza de quando. Mistério e dúvida também contam.
      Da insinuação pra meiguice safada. Céu chega muito aplaudida e desmancha a todos com Doce Guia. Daí para a firmeza de Lurdez da Luz, em Certa Noite, pra dançar junto sem desviar o olho. E Marina de la Riva, desafiadora, em uma versão de Lágrimas Negras Pretas muito melhor do que a de Pitty no disco. Por último, Karinne de Carvalho, e a outra melhor do disco, Tatuí. Que ela leva risonha, fingindo inocência. O bis é com todas no palco, pra lembrar que é homem que precisa de mulher, elas se divertem sozinhas e ficam ainda mais bonitas.
      Malandro que é malandro sai com um riso interno de orelha a orelha, que é pra também ninguém achar que ele amoleceu depois de ter ficado apaixonado.
Thalma de Freitas abre o show Um sorriso de Céu RIca Amabis não sai da mesa Timidez também cativa O momento do caos Karinne Carvalho em uma das melhores da noite: Tatuí
Fernanda Monteiro e Luisão Pereira em cordas diferentes
      Outra vez, o som atrapalhou a apresentação do Dois em Um. Um constante zunido tornava um sacrifício tentar desvendar a voz de Fernanda Monteiro. Embora os instrumentos estivessem bem equilibrados, sem um a ofuscar o outro, sumia a voz da cantora - que é o toque de encontro e a graça das texturas do cello, guitarra/teclado, programações. Fica difícil fincar qualquer posição quanto ao que achar do trabalho.
Luisão Pereira dispara o eletrônico e toca o elétrico Fernanda Monteiro tem voz doce e fria

      Mais fotos, outro texto meu sobre o 3 na Massa, e outro sobre o Dois em Um.