Para mim, entrevistas são a coisa mais bacana no ofício do jornalista (ou daqueles que se dispõe a contar o que estão vendo aos outros). Entrevistas com artistas são um capítulo a parte e devem ser lidas com um olhar “flexível” por serem sempre difíceis de serem feitas. O livro das supostas melhores entrevistas da Rolling Stone gringa tem me acompanhado nas últimas semanas e até por isso o tema vem passando na minha mente.

Cada um pode ter seus critérios, mas curto quando a entrevista vira um papo generoso e espontâneo, sem virar conversa de cumadre. Essa mínima distância necessária se firma no instante que o interlocutor consegue manter-se como alguém instigante aos seus entrevistados, para que estes se mantenham instigantes aos leitores. Alguns meses atrás, li uma ótima conversa do Bruno Torturra com o Rodrigo Amarante, feita no calor da primeira turnê americana do Little Joy. Torturra soube usar sua aparente proximidade ao entrevistado, somada a um bom contexto e uma ambientação signifiticativa, para que ele pudesse se expôr mais do que em outras chances anteriores que tivera. E forma também é conteúdo, certo? 

Ontem recebi e-mail do Thiago Camelo divulgando um papo que ele teve com o Dahmer, que está pra lançar livro novo de seus quadrinhos. A entrevista está no Overmundo. Na conversa, Thiago consegue que Dahmer se mostre como Amarante fez com Torturra. O ato de entrevistar cresce nas mãos desses bons entrevistadores justamente porque eles conseguem mostrar, mesmo pra quem não conhece a obra do “personagem” em questão, que ali há uma pessoa instigada e instigante, como todo artista relevante deve ser.

É papo longo, mais de meia-hora, mas intenso, revelador e muito bem apresentado. Vale muito a pena ver (até o final!).