Duas bandas vêm à cabeça quando se ouve o que ficou estabelecido ser a parte rock do disco duplo de Romulo Fróes. Cala Boca Já Morreu tem uma aproximação noise do samba que lembra bem mundo livre s/a, embora não tenha nada de sarcasmo ou atrevimento de Fred Zeroquatro. Romulo até pode ter lido os mesmos livros, mas nunca pisou na lama (esteticamente). Daí a relação com Fellini, a segunda banda. Aí sim, também paulista, também europeu, também dividido em uma faceta de melodias pierrôs e de subidas de dinâmicas arlequins. Quase que anti-pop por princípio, igual a Cadão Volpato e Thomas Pappon.
      Há todo um jeito lacônico na forma em que Romulo se mostra perdido nos encontros de mundos promovidos em letras e arranjos. O óbvio seria esperar uma bateria sincopada, ainda mais porque é Curumim que está nas baquetas. Mas não, ela é discreta, reta. Acompanha o tom de voz na melancolia que, no extremo, extrai beleza na monotonia. Daí a guitarra cheia de uáuas, de distorções, de alto volume para gerar choque. E quando há sopro, ele é triste, da hora da dor no baile de gafieira. As letras acompanham a procura (talvez sem fim) do artista por um lugar para si.
      Cala a Boca… é a primeira metade de um disco de voz perplexa, anestesiada e tímida no inconformismo. Cala a Boca… é uma reação ao rótulo pregado de sambista (é o próprio release do myspace que afirma) na forma de uma busca ao que é samba fora do samba. É para ser observado com a cabeça cheia de perguntas.