Sany Pitbull e Girl Talk. De tantas novidades na música - e a música continua vindo com as questões contemporâneas antes de qualquer outro campo de expressão - o mash up é o mais emblemático. Nele, estão reunidas questões como direito autoral, remix, apropriação, pedaços de música, tecnologia e atenção compartilhada, além da senhora de todas as coisas Pista de Dança. No entanto, o mash up é também o gênero mais ameaçado pelo hype. Ainda não apareceu um DJ com dois álbuns seguidos relevantes, nem com outro padrão que substitua o do álbum, já que estamos falando de questões atuais. E nisso, o brasileiro Sany Pitbul talvez esteja à frente de Girl Talk, nome que apresentou ao vivo pela primeira vez no Brasil o que era fruir um acontecimento mash up purinho, do começo ao fim. No ano seguinte, o mesmo Tim Festival que tinha trazido Girl Talk trouxe uns três ou quatro DJs de mash up, e todos já tinham fãs no Brasil. Inclusive o brasileiro Sany Pitbull.
Voltando a falar de aura, um bom mash up é ótimo em streaming ou mp3, mas só passa no teste mesmo se sobreviver ao vivo, mixado na hora, cercado de gente dançando. E Sany Pitbull pegou o funk e soube mixá-lo e cortá-lo para pistas de boate como Girl Talk não fez com o rap. Sany é um dj de mash up e de funk, mais do que Girl Talk é de mash up e de rap. Por ser mais radical, a obra do americano tem mais a provar, e precisa de mais para não ser cansativa, para superar a expectativa. A do brasileiro não, ganha espaço só respondendo a um ou outro purista do funk que acha que sabe do que é feito um batidão. Girl Talk faz um pote de salada: se quiser, dá pra separar o pepino do tomate, a alface do rabanete. Tamos juntos, mas não estamos misturados. Sany faz uma sopa, onde se identificam a batata e a carne assada, mas onde o tempero é um só e tudo está cozido de forma a um gosto único encher a boca. Tamos juntos e pronto. Sou mais o sopão funkeiro.