Malu Magalhães e Los Hermanos. Tão pouco tempo separa um do outro, e tão distintos são os desenvolvimentos de carreira de cada um. Pra começar, uma é streaming no myspace, outro foi fita cassete. Mas não é a mídia que interessa aqui, mas o desenvolvimento de um percurso artístico. No fim dos anos 90, a banda de Barba, Medina, Camelo e Amarante fazia um circuito de shows pelo Rio de Janeiro que juntava poucas dezenas de fãs e amigos com entusiasmo para comprar as fitas-demo e multiplicá-las em intervalos de aula de segundo grau (acho que na época não era ensino médio) e faculdade. Formar público era um trabalho de tentativa e erro, de lento amadurecer, e de um tanto de espontaneidade. Fora o trabalho de um quinto integrante, o produtor-amigo, Alex Werner, pra organizar instintivamente as direções.
       Nem dez anos se passaram e uma menina pulou do sucesso no myspace para blogs e a capa da Ilustrada em um tempo de seis meses, mais ou menos. E em seguida para tv e propaganda de celular. Não há demérito nenhum aí: ela formou o público dela, com pouca tentativa e erro, com muita espontaneidade, e com um carisma que se encaixou perfeitamente na necessidade de um país de ilustrar em jornais os novos tempos. Mas e o lento amadurecer? Mallu vive hoje esse peso: o de precisar crescer à sombra da opinião e dos palpites de todos: blogs, jornais, programas de televisão, e uma multidão de pessoas com acesso ao myspace dela e a outros veículos de auto-publicação. O fruir de um show de Mallu é um acontecimento em que a música é só parte de um contexto em que se distrair é um risco constante. É um peso grande, e o que era mundinho underground virou novela de internet-revista de celebridade.