sm: Você acabou de passar por uma temporada de releituras do repertório do Autoramas no Rio de Janeiro, retomou o Little Quail para um show de reencontro em São Paulo, e ainda por cima a Rough Trade agora vende o compacto de Catchy Chorus, um dos clássicos da “most important independent band in Brazil. Tá fazendo análise, é hora de se reavaliar, o que houve?
GT: Bom, não retomei o Little Quail, foi só um show, um encontro de amigos, fizemos um ensaio juntos, demos muita risada, só isso. O show foi bem fiel à época, um sacaneando o outro, tocamos quase tudo certinho, as músicas estão grudadas na memória, nada demais. O Little Quail pertence ao nosso passado, não pretendo nem tô a fim de fazer nada além disso. Já tínhamos feito isso outras duas vezes no Rio e em Brasília. Se der vontade de tocar de novo, a gente toca, mas deve demorar mais uns 5 anos ou até mais. Nem quero prometer nada.
Quanto ao Autoramas, nem tudo no acústico são releituras, vc foi no show? Tem bastante coisa nova também.
A carreira internacional do Autoramas começou em 2002, estamos trabalhando bastante lá fora e as coisas estão pintando. Voltamos da nossa terceira turnê na Europa, 7 países, 25 shows, algum resultado tem que rolar… além da resposta imediata do público, que sempre foi ótima.
Enfim, só estamos fazendo nossas paradas, a banda é nossa profissão. Deve soar inédito pra muita gente ver uma banda independente construir uma carreira, mas vamo nessa, todo mundo sempre falou que tudo com a gente era diferente mesmo…viva a originalidade ahahahahahah

sm: E a temporada do Autoramas Acústico?
Só fizemos dois shows, um no Rio e outro em SP. Estamos fazendo um monte de ajustes, aperfeiçoando o repertório, eu tô achando bem legal. Pra mim a sensação é de novidade total. No primeiro show, no Rio, entrei nervosaço, parecia o primeiro show da minha vida.

sm: O lançamento do último disco do Autoramas, considerado por boa parte da crítica o melhor de vocês, foi seguido por uma fase de troca de baixistas. Dá pra ter uma idéia, hoje, do quanto isso mexeu com a banda ao longo do trabalho de turnê/divulgação dele?
GT: Flavinha entrou há exatamente um ano, ela sabe tudo de música e no acústico já está a marca dela nos arranjos e presença em geral. Acho que, em termos de música, agora é que vai se notar uma puta diferença. No resto, tá fácil de notar…Pô, ela sempre morou aqui no Rio, frequentava os mesmos lugares que a gente, é Rock and Roll como a gente…Porque ninguém nunca tinha nos apresentado pra ela antes?

sm: E qual é a história do Catchy Chorus ir parar na Rough Trade?
GT: Cara, foi prensado um compacto na Europa com essa música no lado A e “Paciência” (grande hit da última turnê na Europa) no B. A Rough Trade comprou uma quantidade, o cara lá ouviu, se amarrou e escreveu aquilo tudo. O cara é gênio, chamou a gente de Pop Garage, aliás “excellent Pop Garage”. Adorei esse termo, como eu não tinha pensado nisso antes? Autoramas é exatamente isso…

sm:Por último, 2009 já começou a 300 por hora. O que vem por aí?
GT:Todo ano eu respondo a mesma coisa: muitos shows e viagens. As surpresas a gente saboreia….Tô muito triste q o Lux Interior [parceiro de Poison Ivy no the Cramps] morreu hoje [ontem].