Semana passada aconteceu a décima edição da festa Calzone, que entre seus comandantes traz João Brasil. Ele vem apresentando uma série de inovações estéticas recentemente (até no próprio visual) e a edição comemorativa da festa me parecia uma boa razão pra trocar uma idéia com ele. Mandei, pois, um e-mail com algumas perguntas para o João, mas, devido a correria, ele não conseguiu fazê-lo a tempo e antes da festa veio se desculpar. Disse que não havia problema, que isso acontece.

Apesar disso, João não se fez de rogado e, no sábado, ao contrário do que previa a lógica, respondeu as perguntas sobre “como seria a festa de sexta”. Depois desse gesto tão improvável, não podia deixar de publicar as respostas, né…

Só mesmo o João…

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sobremusica: João, você bem sabe que pessoas de bigode buscam a desconfiança dos seus semelhantes, certo? Afinal, nunca se pode confiar 100% em um sujeito de bigode. Em meio a vitória do Obama, a vinda do Radiohead e a promessa de que a crise não vai atingir o Brasil, é esse espírito de desconfiança que você quer propor em um gesto claramente político de deixar o bigode crescer?

João Brasil: O Bigode é uma evolução espiritual, ele te guia, ele faz tudo ser possível! Um rapaz de bigode pode ter uma faca no bolso e ser sexy ao mesmo tempo.

sm: Depois de ter lançado um CD físico com suas próprias canções, você partiu para uma “fase 2″, se entregando à tentação do mashups. Menos de três meses depois, você começou a soltar suas primeiras incursões no universo audiovisual com os clipes dos fãs tocando Baranga e o remix do Cansei de Ser Sexy. Sem falar no remix do Vanguart. Afinal de contas, o que você quer da vida?

JB: Estou querendo conquistar o mundo, virar um artista internacional, andar com uma arara no ombro. Quero ser considerado um artista exótico fora do meu país ao contrário de Villa-Lobos

sm: Você assistiu ao show do Wando no Claro Cine? O espírito dele pode influenciar a sua performance?

JB: Claro! Foi uma das melhores coisas que já assisti na minha vida, impagável! O espírito dele sempre me influenciou, o cara é foda! Tem a boca mais sexy da música popular brasileira.

sm: Pessoalmente estou bem curioso para assistir teu show hoje. O último que vi foi na festa do SOBREMUSICA em sua primeira aventura com os mashups, que, aliás, foi foda. De lá pra cá, como falamos, você fez uma porção de outras coisas. Como isso se resolve num show ao vivo a essa altura da sua carreira?

JB: Toco meus mashups “ao vivo”, como vc já viu. Na festa do SOBREMUSICA foi o embrião, se tranformou em BIG FORBIDDEN DANCE (album de mashups) e depois veio a fase dos remixes. MPC, cantando hits, tocando remixes, mashups e um tiquinho de afoxé fazem a minha performance de hj.

sm: A Calzone já está no seu segundo ano de vida e conseguiu um lugar na lista de festas “cool” da cidade. Como é que vocês enxergam a festa hoje em dia depois de tudo que já rolou?

JB: É muito legal. Fizemos uma pesquisa e descobrimos que a cidade tem necessidade de noites divertidas com clima de amizade. Estabelecemos metas, com prazo e estamos cumprindo. Estamos apenas no começo, estamos querendo tocar na chegada do papai noel no maracanã no final do ano.

sm: Você vem anunciando planos de se mandar de novo para a vida acadêmica fora do país nos próximos meses. O que já há de concreto nisso e o que você quer fazer lá fora?

JB: Estou sentindo a necessidade de explorar novas mídias, a integração de video/áudio tem um poder de comunicação gigantesco, pude experimentar um pouco disso nesses últimos vídeo-colagens que fiz. Não quero ficar só preso ao áudio, estou sentindo a necessidade de expandir meu poder de fogo. Quero fazer um mestrado em “Design for Interactive Media” em Londres! Espero que consiga a bolsa!!! hahaha!