O Digital Dubs anunciou o fim da festa semanal na Casa da Matriz, no Rio, no meio do ano, e de lá pra cá parecia estar meio sumido. Mas eis que as notícias brotam: sai o terceiro disco de riddims do coletivo, eles chegam do México e… a festa volta à Matriz em janeiro.
       O Funk Milk Riddim, diz o release, é o encontro do baile funk com o dancehall. Na prática, o disco é mais uma experiência da equipe de som em juntar uma leva de parceiros e a eles oferecer a chance de criar em cima de uma única base – que tem uma sacanagenzinha de tambozão lado a lado a um baixo cheio de sotaque jamaicano.
       O resultado, naturalmente, é um disco desigual, com boas surpresas, e que quando erra cai pro repetitivo (mas aí é só passar pra próxima faixa, é mole). Positivo, de Arcanjo Ras, por exemplo, é uma leitura do riddim bem previsível. Já África Digital, do MC paulista Funk Buia, é praticamente uma apropriação, que podia estar muito bem em um disco do Z’África Brasil sem que ninguém se desse conta da assinatura digitaldubs. Mesma coisa serve para O Comédia Vacilou, de Duda do Borel, que ganha ecos de dancehal, um rãrrã de garganta funkeiro, e tem mais de estilo Catra, ao cantar cafajestagem e transformar isso em beabá de favela marrenta, do que propriamente de diálogo com a equipe de som. Não é o que acontece com Olho de Águia, de Black Nei, ou com Salve aos Mestres, de Jeru Banto, que mostram mais explicitamente um clima de parceria e têm bem a cara dos bailes da equipe de som no Rio de Janeiro. Duas músicas de positividade e senso coletivo.
       Do lado gringo, War, do jamaicano Daddy Freddy, vai pra tradição de pregações transformadas em som. Funciona pra quem é convertido, e tem lá uma articulação vocal que tecnicamente impressiona. Rub-a-Dub Partner, de Nabby Clifford, dá certo justamente por se assumir tradicional em cima de uma base contemporânea – tá defendida a origem. Just Wine Baby, de Kirk Davis, e World Go Round, de Percy Dread, abaixam o volume do riddim pra deixar passar o romantismo. A segunda é mais popzinha, a primeira muito melódica, e as duas acertam pelo inesperado. Em lado oposto, Strictly Heavy Dub, do inglês Tippa Irie, mete a mão pesado em um flow de rap que encaixa - na agressividade – na base. Dito assim pode parecer estranho, mas flui bem (embora canse depois de um tempo).
       O disco ainda tem uns extras que só dá pra baixar, não vêm no plástico. São eles a participação de Funkero, Victor Binghi-I, Bia Black e Lei Di Dai.