Começou com uma birra a minha relação com a Mallu. Primeiro foi o Lúcio, depois o G1, depois a Folha no mesmo dia que  o JB (que apesar disso até hoje se gaba de ter “descoberto” ?!?! a cantora) e pá! Não havia nem um mês do primeiro show dela e Mallu já se tornara o maior fenômeno da música brasileira em tempos de internet. Ouvia as faixas do Myspace, tinha uma quedinha por “Tchubaruba”, mas julgava que as músicas tinham uma imaturidade que não condizia com tanto alarde. Na real, o pensamento era: “Dêem tempo pra menina. Ninguém pode merecer tanta expectativa, pressão e tantas linhas em tão pouco tempo. Ela ainda não fez nada por merecer isso”.

O tempo foi passando e a música descia cada vez mais macia nas minhas cada vez mais frequentes visitas ao Myspace dela. 

Quando teve o primeiro show dela no Rio, no Festival Evidente, eu cheguei a comprar meu ingresso antecipado, mas perdi a apresentação. Diante de tanto hype, de tanto alarde e dos ingressos esgotados para vê-la, eu não contava com o bom senso de Rodrigo Lariú que, justamente, colocou a menina-atração-mor para abrir a noite. Ela era boa – e até mais interessante - , mas os headliners Luisa mandou um beijo já tinham bem mais estrada. Era o primeiro festival da Mallu, ela deveria encarar os degraus da escada. Ponto pra Lariú. E eu cheguei tarde lá, queria só ver o headliner. Perdi.

Na saída daquele show, muitos amigos reclamavam do hype. Outros se rendiam a ele. Não havia como mudar minha opinião ouvindo coisas tão díspares. “Ela já está marrenta”. “Desafina demaaaaais”. “O carisma dela é bizarro”. “Ela é muuuuito fofa”. “Cara, isso é ridículo”. “O Camelo e o Caldato estão aí”, “Me disseram que todas as majors estão aí”.“Ela tocou Beatles”.

Informações em off me anteciparam que a menina viria gravar o disco em julho, cá no Rio. Já estava por demais instigado e curioso por (tentar) entender esse fenômeno. Entrei em contato com o empresário e pedi para filmar um making of do álbum. A resposta demorou, mas veio negativa. Ela já estava sendo filmada por uma equipe para um DVD. Elementar, meu caro. Mas tentar não custava. E, bem,  dias depois me liga o Pablo Myiazawa, gente boa e meu editor na Rolling Stone. “Meu, você topa fazer um “Em estúdio” com a Mallu aí no Rio? Ela vai gravar aí.”

 

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Nos próximos dias, a seqüência do Dossiê Mallu, incluindo entrevistas com Mário Caldato, Rossato (o empresário) e com a própria.