Em edições passadas, criticamos a produção do evento por não credenciar blogs para a cobertura do festival. Soava estranho diante da curadoria da programação. Soava estranho diante da escolha do próprio site do evento em contratar um artista para virar o blogueiro oficial do festival. Se o Tim, antigo Free Jazz, sempre buscou a marca da vanguarda, e apontou para grupos que estavam muito além da grande mídia, andar em dissonância com estes veículos era, para nós, contraditório. Ainda mais se o próprio formato do veículo era utilizado (e legitimado) pela empresa patrocinadora dos shows. O público de boa parte daqueles artistas conseguia (e consegue) informações na web, em sites específicos. Esses mesmos sites serviam (e servem) de termômetro para a curadoria do evento saber o que, do que rolava lá fora, encontrava eco por aqui.
      Ao termos nosso pedido negado novamente em 2007, procuramos a assessoria de imprensa do festival e propusemos discutir esta postura. Ao longo de vários e-mails, percebemos que a questão que colocávamos encontrou interlocutores na equipe do evento. Já durante os shows daquela edição (que fomos assistir, mas não cobrimos), fomos abordados pelos curadores Hermano Vianna e Ronaldo Lemos. Eles diziam concordar com a discussão proposta e demonstravam sincero interesse em conciliar aquilo tudo e as necessidades específicas de mídia exigidos pela patrocinadora do festival. As conversas seguiram em encontros esporádicos ao longo do ano.
      Mario Canivello, assessor de imprensa do festival, nos manteve sempre atualizados sobre os progressos da discussão internamente e nos pedia discrição. Não havia nada oficializado, nem posição definitiva. Em dado momento, porém já estiva claro que em 2008 a relação do festival com a mídia da internet, sobretudo os blogs, seria revista. Haveria, pois, a análise dos pedidos de credenciamentos dos blogs e a escolha de alguns a partir de critérios internos. Ontem, recebemos a confirmação final de que o nosso credenciamento foi aceito.
        Diante das críticas que estão sendo feitas à edição 2008, inclusive por aqui, e a pouca venda de ingressos no Rio de Janeiro, será fácil acusar a produção de ter aceito o pedido dos blogs por conta de um possível esvaziamento. Até por isso, é importante registrar a boa vontade e disponibilidade para o diálogo que a produção demonstrou desde o ano passado, e não só agora.
      Lá estaremos.