Cumplicidade e entrosamento são características de uma banda que inevitavelmente transbordam para o som. Tanto é que, na história do rock, garotos que se juntam para tocar juntos e alcançam algum resultado comercial têm estatisticamente mais chances de longa vida. É só pegar exemplos como Titãs, Beastie Boys e Arctic Monkeys, em um primeiro google mental sobre “bandas de colégio”, para ver como os números não falham.
       Uma coisa é formar banda em faculdade (de primeira: Talking Heads, Radiohead, the Who, Vampire Weekend), outra é formar por contatos de circuito ensaio/showzinhos (Beatles, Ramones, Rappa), e mil outros caminhos possíveis (Legião, Backstreet Boys, Gorillas), mas banda que nasce depois de uma amizade já bacana, isso é receita de clima bom e união.
       E como a gente começou a ver na primeira parte da entrevista com o Callado e o Benjão, publicada aqui na semana passada, os meninos que ficaram amigos jogando bola e ouvindo discos juntos na zona sul do Rio acabaram dando em um Carne de Segunda que, por excesso de não se levar a sério, não foi adiante.
       Mas a tal estatística de longa vida tinha que pesar: e essa é meio que a história de idas e vindas até a formação do Do Amor. Vê se não é…

sm: Tocava junto por acaso, quando calhava de se encontrar no trabalho de outras pessoas…
MC: Exatamente. Tocava junto no Jonas [Sá]. Eu tocava com o [Gabriel] Bubu e o Ricardo [Dias-Gomes] na Nina [Becker], na época.
GB: E foi muito o que rolou. E nessa época, por causa do Bruno [Levi, mas não fica clara a relação], o Ricardo começou a tocar baixo com vocês.
MC: Exatamente. O Ricardo tocava piano. Aí chegou uma hora que ele resolveu tocar baixo. Da cabeça dele. Não foi nem por causa do Bruno, ele resolveu tocar baixo. Falou: quero tocar baixo, não quero ficar preso ao piano. E ele começou a tocar baixo.
GB: Eu me lembro de, antes do Lucas [Santtana], eu ensaiei eu e ele, na casa dele. Eu tocando bateria, e ele tocando baixo.
MC: Eu me lembro disso.
GB: Na verdade, ele já tocava com o Lucas, nessa época. //bate a fita

MC: Mas aí, o Ricardo começou a tocar baixo. Ele começou a arrumar uns trampos como baixista mesmo, primeiro o Lucas, depois a Nina, o Stereo Maracanã. E a gente foi se encontrando nessas bandas. Aí chegou uma hora que os quatro tavam na banda da Nina.
GB: Por dois shows, né? E eu voltei a tocar com Jonas. Porque quando o Jonas formou a banda, eu comecei a tocar com ele. Só que eu tava em outra pilha, não tava tocando tanto, tamos voltando pra 98. 99, talvez? 98. Acho que 97. Teve um show no Garage, ele chamou o Rubinho [Jacobina] pra tocar. Que tocava muito mais do que eu, e toca até hoje. Chamou pra fazer as harmonias lá, do jeito que o Jonas queria, e tal, e eu parei de tocar com o Jonas. Aí, um tempo depois, já voltando pra essa época, depois que o Carne acabou, eu já tava tocando com o Nervoso, e comecei a tocar com o +2, comecei a tocar com mais gente…
MC: Tocou com o Totonho…
GB: Com o Totonho, e teve um show que o Nelson [Jacobina, irmão do Rubinho] não pôde fazer, já pra Nina Becker, e a Nina me chamou pra fazer. E rolou bem pra caralho, eu já tinha voltado a tocar com o Jonas de novo, e isso foi 2005, 2006. 2006, acho. Foi em 2006 que a Nina começou a fazer a parada. A Nina fez o [projeto de moda e música] Volte Sempre e era eles [Marcelo, Gabriel Bubu, Nelson e Ricardo Dias-Gomes]. E foi só depois do Super Luxo que eu entrei.
MC: Foi nessa época aí. Foi depois que ela fez um EPzinho Super Luxo, que ela fez pra lançar, não sei que. Mas o que importa disso é que, cara, a gente começou a ver que não faz sentido a gente não ter uma banda, sacou? Todo mundo compõe e não tem onde botar as músicas direito, sabe? Porque cada trabalho desses, eu acredito que embora a gente tenha liberdade criativa em cada trabalho desses que a gente desenvolve fora do Do Amor, ou fora do Carne de Segunda na época do Carne de Segunda, você tá lá como músico, sabe? Por exemplo, o trabalho da Nina é o trabalho da Nina. O repertório normalmente é ela que escolhe pra cantar, a gente faz tudo meio que de acordo com a pilha dela, sabe? O Canastra é uma banda, mas é muito da pilha do Renatinho [Martins].
GB: O Nervoso é a pilha do Nervoso, Totonho…
MC: Nervoso é a pilha do Nervoso, o Lucas… Nada era nossa pilha. NOSSA pilha. Talvez o Jonas seja a coisa mais…
GB: Mas mesmo assim são as músicas dele, e tem o limite até onde você cria, sabe?

sm: É, a decisão final é dele…
MC: Não é nem a decisão final,…
GB: É de onde vem aquela música ali, e tem um espaço pra você que é um espaço limitado. O grande lance que determinou a gente fazer o Do Amor, foi que aí a gente ia ter liberdade total. Primeiro que a gente se dá bem pra caralho, confia um no outro, tem intimidade pra trocar as idéias, sabe? E outra é a possibilidade de ter liberdade total. Se todo mundo quiser fazer qualquer parada, qualquer tipo de música, e todo mundo estiver de acordo, a gente vai fazer, cara.
MC: Vou te dar um exemplo, cara. No Canastra, eu tinha um monte de música engavetada e não podia botar no Canastra. Porque não tem a ver. Não podia botar uma lambada na banda, sabe qual é? A banda tem um universo definido. Embora dentro desse universo existam várias vertentes.
GB: Acho que tem uma coisa também incomum. A gente tem um humor incomum, assim. Tem uma coisa que só cabe ali.
MC: E tem uma cumplicidade absurda, sabe? Eu tava respondendo isso pro… pro… William, sabe? Do Globo.

sm: Do Megazine. William Helal Filho.
MC: Eu tava respondendo isso: a gente é muito amigo, mesmo. Daí rola uma parada, quando a gente tá no ensaio, que é um entendimento imediato, sabe? Quase instintivo, de olhar pra cara do maluco e saber o que ele tá querendo, sabe?

sm: Tem uma coisa do rock, que tem vários estereótipos, né? Um deles é o da banda de colégio. O Strokes é banda de colégio, e têm outras que agora eu não vou lembrar. Os Beatles não são, sei lá. //parte incompreensível// E na história do Do Amor, o que eu acho engraçado e diferente, é que começou lá no Carne de Segunda como banda de colégio, todo mundo cresceu, foi pra outros cantos sem perder o contato, e voltou a se juntar já profissional, com uma pilha que não deixa de ser de banda de colégio, mesmo que não tenha um integrante original e tenha acrescentado outro, que não era do colégio…
MC: Mas o Ricardo era do colégio…
sm: Ele era da Éden, né? [e os dois do Andrews]
MC: É, mas ele era da galera. A gente começou a tocar junto. A gente nunca deixou de tocar com o Ricardo, ele só não era do Carne de Segunda. Ele tocava no Jonas…
GB: A gente tocava no Jonas, levava som. O Ricardo tocou muito tempo com o Bruno, no Lucas Santtana. O Lucas foi o primeiro cara a botar o Ricardo pra tocar baixo.
MC: Eles tinham uma banda só deles, também. Bruno, Ricardo e Bubu tinham uma banda com uma cara chamado Newton. Acho que só fez um show. Mas tem umas gravações memoráveis.
GB: Eu acho que eu gravei esse show. Fui de técnico.

sm: Vocês se lembram de quem foi a idéia do Do Amor, da banda?
MC: Do Amor?
sm: Não o nome, a banda.
MC: Foi de todo mundo.
sm: Mas e a decisão: a hora é agora?
MC: Eu me lembro que a gente botava muita pilha: eu, tu [Benjão], e o Ricardo. O Gabriel ficava meio assim, e também ele tava no Los Hermanos. E acho que tava um pouco de ressaca do Carne. A, cara, fazer banda eu vou dar um tempo, sabe?
GB: O Ricardo era o cara que, desde muito tempo, quando eu te falei esse troço que eu levava som com o Ricardo na casa dele, eu me lembro que ele falava: a gente tem que fazer uma banda da gente, eu, Marcelo e Bubu. Ele tinha essa pilha. E eu, quando acabou o Carne, eu tava decidido a fazer um negócio meu, sabe? E eu fiz o Jumento Van Basten, que é um projeto meu solo, demente pra caralho. Mas tava decidido a fazer um trabalho meu, mesmo.
MC: E eu também, cara. Todo mundo. Eu saí do Carne de Segunda e tinha uma porrada de música pra tocar. Falei, vai se foder, vou fazer uma parada. E fiz uma banda que era eu tocando guitarra, Gustavo bateria, Ricardo tocando baixo e o Márcio, que é um amigo médico, tocando guitarra. Ele não tem banda, nunca foi de tocar com banda. Mas não deu certo.
GB: Rarrá, eu não sou baterista.
MC: E eu não sou guitarrista.
GB: Nem o Márcio é guitarrista.
MC: Aí, eu peguei as minhas músicas que eu gravava no tascam, e levei pro Ricardo editar no computador dele. Então, ele conhecia as minhas músicas. E sempre falava em tocar. Então, eu acho, a pilha inicial foi mesmo do Ricardo. E eu e o Gustavo: vamos logo, fazer essa porra. O Gabriel ainda ficou meio assim, e a gente começou a ensaiar.

sm: E acabou o Los Hermanos nesse meio tempo, né?
GB: Antes de acabar, a gente já tava ensaiando.
sm: Mas antes de acabar já tava com cara de que ia acabar, não?
GB: Não, até que não.
MC: Eu me lembro, que foi aí nessa época que surgiu o Caetano. Então, tem que eu tava em turnê com o Caetano também. E a gente tava em turnê quando o Gabriel ligou e falou, cara, a parada vai acabar. Ele ligou preocupado, mesmo.
GB: É verdade, pintou o negócio do Caetano. Eu me lembro muito bem que rolou o negócio do Caetano com a gente naquela de vamos fazer ou não vamos fazer. Acho que não tava nem ensaiando ainda quando vocês começaram a tocar com o Caetano, né? Tava não.
MC: A gente começou a tocar com ele em maio de 2006.
GB: Pois é, a gente começou logo depois. E quando rolou o negócio do Caetano eu falei: ou é agora, ou é nunca, cara. Os caras vão estar pegados mesmo. Se for esperar, eu me lembro que conversei com a minha mulher.  E falei, porra, vamos esperar pra ver como é que vai ser, e ela falou: começa logo, cara. Porque pode ser que eles fiquem anos tocando com o Caetano, e vai esperar quanto tempo? E ela mandou essa pilha, e eu liguei e a gente marcou. O Ricardo já tava na pilha… Você também, e o Bubu foi indo…
MC: Foi indo.
GB: Mas o Bubu tava com uma agenda lotada, por causa do Los Hermanos ainda. A gente fez um show no [bairro do] Humaitá sem ele, mas ele tava dentro da parada, claro. E aí a gente foi fazendo os negócios todos.
MC: Ééééé… E tinha uma parada que foi que a gente começou igual ao Carne de Segunda, a gente levava um som, e pegava umas covers também. Quer dizer, não era cover, eram versões. A gente começou fazendo versão do Metallica.
GB: Mas começou mostrando música também. Eu comecei mostrando umas músicas novas, já.
MC: [espera] Deixa eu me lembrar aqui…
GB: Foi isso sim, a gente começou com cover, mas teve música minha também. Eu mostrei música, que foi uma que a gente nunca tocou, até. A gente começou a levar som, assim, mas foi música que a gente nem tocou em show nem gravou. Mas foram músicas que foram pra gente tocar junto mesmo, depois a gente tocou música do Marcelo, foi tudo muito misturado.
MC: Foi, mas isso tudo ainda bem devagar. Bem devagar.

sm: Mas as versões o que eram? Metallica lambada?
MC: Metallica dub. E tinha uma versão do Alan Vega [do Suicide?] meio country, que misturava com uma porra metal…
GB: Que que era aquilo? [ficam rapidamente tentando se lembrar de bandas que eu nunca ouvi falar, e cantarolam solinhos de introdução] O Bubu é que tinha que estar aqui, porque ele que botou essa porra.
MC: É… Aí, que mais? Tocava umas coisas de James Brown, chegou a tocar…
sm: Mas vocês mexeram em James Brown?
MC: Um pouco, em James Brown nem era tanto. Que mais? Sei lá, umas maluquices. E começamos a nos mostrar músicas. Aí, cara, tem uma parada muito importante.
GB: Engrenou rápido.
MC: Não, o começo foi bem devagar. Eu me lembro que a gente ensaiava… sei lá. Teve um ensaio e dois meses depois teve outro ensaio. Ainda marcava nos buracos das coisas, sabe? Mas aí teve uma hora que foi muito importante que foi o seguinte: chegou uma amiga nossa e falou o seguinte, vocês tão com uma banda e eu tô com um contato que é do Chico Neves, ele dá aula num ponto de cultura [projeto do Ministério de Cultura de criar locais com oficinas e infra-estrutura para jovens de baixa renda] em Vargem Grande [na zona oeste]. Ele precisa de uma banda pra ser gravada pelos alunos dele. Tipo, os alunos fizeram o curso, e têm que fazer agora a monografia, que é gravar uma banda. E a Nina, essa amiga, falou: porque vocês não fazem isso? Gravem essas músicas que vocês têm. E a gente falou, vambora, vamos fazer essa porra. Foi no fim de 2006. Na última semana, eu tinha voltado do último show do Caetano, o Gabriel – já tinha saído do Los Hermanos? Não me lembro, tinha não. Foi quando que acabou? 2007? Eu me lembro que a gente tava no Pará, foi no meio de 2007 [mais precisamente no fim de abril], eu acho. Mas no fim de 2006, a gente pegou uma semana, a banda não tinha nome ainda, não tava nesse esquema, e a gente se organizou e disse: quais as músicas que a gente tem? São essas? Só tinha aquilo, cinco músicas prontas. Uma delas era do repertório do Carne, então tava meio… duas. Não, uma só. Meu Coração. Mas mudamos o arranjo. Já tinha o esqueleto. Aí fomos pra essa parada, e gravamos com os caras lá, em uma semana. Isso foi o motor de propulsão da banda. Até falei isso pro maluco lá, também [William Helal]. Foi esse EPzinho, sabe? Mesmo que o EP…
GB: Ali virou banda mesmo.
MC: Ali virou banda, ganhou nome. Pensou, sentou pra ensaiar…
GB: …levantou repertório.
MC: Ali na Nina…

sm: Desculpa, que Nina?
MC: Nina Cavalcanti. Ela é produtora, produz umas paradas de música, mas faz outras coisas também. Trabalha até mais com outras coisas. Foi aí que começou a parada, que a gente ensaiou, deu um nome…
GB: Puta, veio um cheiro de banheiro do caralho.
MC se desconcentra, e volta: Mesmo, rarrá, mesmo… quando a gente pegou pra ouvir, a gente falou: caralho, tá foda. O som tá muito aquém daquilo que a gente acha que vai apresentar bem a banda. Aí a gente chamou o Moreno [Velloso]…
GB: …não, quando a gente pegou o ensaio.
MC: Não, quando a gente pegou o resultado das gravações. A gente falou: tá foda. E a gente chamou o Moreno. Também foi uma idéia da Nina, se eu não me engano.
GB: Foi. O Moreno chegou a ir nas gravações. Em dois dias.
MC: É, ele se interessou também. Ele tava fazendo essa parada com o Caetano, viu que a gente tava fazendo uma banda, ele se amarra, sabe? Se amarra no jeito da galera tocar, nas músicas, se amarra na gente, a gente gosta dele também. A gente acha que ele entende pra caralho a pilha da banda. Mas enfim, a Nina chegou: vamos botar o Moreno pra mixar essa porra. Pra melhorar, dar um upgrade nessa porra. Aí, cara, a gente pegou uma semana no Monoaural [estúdio da dupla Berna & Kassin], se fixou nas madrugadas lá, levantou muito o som da parada, melhorou demais. A gente chegou até a fazer um remix da parada, que é a última música lá. Mas mesmo assim, o EP funciona mais como… Funciona pra duas coisas. Funciona como material, porque você entrega pra jornalista, pra festival, pra não-sei-que, com uma capinha bonitinha… E funcionou pra realmente aglutinar tudo ali, com a banda. E funciona pra vender em show.
GB: O EP, apesar do resultado ter ficado aquém do que a gente gostaria, apesar do Moreno ter feito uma puta mixagem…
MC: É, não é culpa do Moreno, a gente foi cobaia dos caras, de uma turma de Áudio…
GB: A gente foi cobaia dos moleques lá de uma comunidade pobre de Vargem Grande, estão interessados naquilo, mas não é um estúdio profissa, tão aprendendo a tirar som…
MC: E tem uma parada também. Depois disso, a gente começou a ensaiar direto. Começou a compor direto.
GB: Melhorou.
MC: Começou um entrosamento muito melhor. Mas sempre que você toca mais e faz mais show, vai melhorando. Sem dúvida. Aí a gente [Marcelo e Ricardo] viajou pra turnê do Caetano no exterior, e a gente falou: o EP é maneiro, mas tem um monte de música nova, a gente tá tocando melhor, vamos gravar um ensaio no [estúdio] Hanói e vamos levar nessa porra [na turnê]. E a gente botou também no myspace, que eu já acho muito melhor do que o EP. Acho que todo mundo acha. Gravamos tudo no Hanói e depois botamos as vozes num estúdio que a gente tem. E aí, foi isso. Que mais?
GB: É, cara. Rolou o EP, que foi quando? Em 2006, né? E aí a gente fez o EP no ponto de cultura em Vargem Grande, e fez um show logo depois, na [boate de Botafogo] Pista 3.
MC: Foi logo depois, não, maluco. Foi muito depois.
GB: Foi muito depois, não, maluco.
MC: Foi. A gente terminou de gravar em dezembro…
GB: E o show foi em fevereiro.
MC: Foi? Não, o show foi em abril.
GB: É? É. Um pouco depois.
MC: A gente terminou a parada em dezembro e o show foi em abril. Por que? Porque também teve turnê do Caetano, não-sei-que…

sm: Tem o tempo de mixar, e não-sei-que.
MC: Aí nesse meio tempo o Los Hermanos acabou. Aí o Gabriel ficou com tempo pra caralho. Em compensação a gente ficou sem tempo, eu e Ricardo. Mas a gente começou a marcar uns shows. A procurar. Depois do Pista 3.
GB: Que foi o lançamento.
MC: Não, o lançamento foi no [sebo de Copacabana] Baratos da Ribeiro. Aí logo depois rolou um show em Salvador. Aí a gente fez o myspace, pagininha do myspace, primeiro com as músicas do EP.
GB: E começou a correr atrás das paradas.
MC: E apareceu esse maluco falando: me amarrei no som, quero trazer vocês pra Salvador.
GB: Voltando um pouco, então, na verdade a parada foi começando e a gente, ao contrário do Carne de Segunda, a gente foi fazendo as paradas muito com calma. E pensando muito bem o que a gente precisava fazer pra parada rolar.
MC: Exatamente. Isso é uma diferença crucial entre uma banda e outra.
GB: Vamos fazer um disquinho pra divulgação, a gente arrumou uma produtora – o que na época do Carne de Segunda nunca teve. Que é a Nina, né? E a gente começou a correr atrás de esquema, de contato, de não-sei-o-que, de divulgar que tava rolando a banda, sabe? E trabalhou no lance de espalhar o negócio, sabe?
MC: E o lance de estar tocando, no princípio, com o Los Hermanos, enfim, de todo mundo estar tocando com outras pessoas, estar sempre viajando, sempre em contato com imprensa, não-sei-que, ajuda pra caralho. A gente sempre tá com um disquinho e entrega, e pá, faz uma ponte. Às vezes nêgo se interessa, às vezes não se interessa, mas também, sabe? E tem um lado escroto, um pouco…
GB: …a gente sabe que nosso trabalho é bom, dá valor pra parada, agora isso abre umas portas que talvez não se abrissem se não tivesse rolando essas coisas paralelas, se a gente não tocasse com uma galera que nêgo já conhece. Isso é uma parada que é bom pra gente, mas que faz a gente participar de um esquema que não é tão…
MC: Tem uma parada também que é o seguinte: foda-se. A gente toca com outra galera e a gente tá lá por mérito nosso. É isso aí.
GB: A gente não ficou preso em nenhum momento… a gente podia ter entrado num esquema de vamos investir no lance da banda de Caetano e não-sei-que. A gente sempre procurou se desvencilhar e ter uma coisa própria, sabe? Sempre procurou fazer o lance da banda e entrar num meio em que talvez nêgo nem esteja muito aí pra isso. Que é em lugares que são mais underground mesmo, tocar na Berlin em São Paulo, em festivais, e ali ninguém tá aí se a gente toca com Caetano, com Totonho, ou com sei lá.
MC: Exatamente. Eu já falei isso em uma entrevista também. Às vezes vira uma faca de dois gumes. Tanto é maneiro quando tu toca com o Caetano e nêgo se interessa por isso, quanto tem um lado que…

Atualização/correção

      O Marcelo me acho na internet e pediu pra fazer umas correçõesinhas no que veio até agora. O Newton que teve uma banda com Bubu, Ricardo e Bruno, na verdade se chama NIL. Com ene, i e éle. Quando o Marcelo saiu do Carne de Segunda, queria ter uma banda própria e chamou o Gustavo pra bateria, o Ricardo pro baixo e o Marcos, não o Márcio, para a guitarra. Aliás, o Marcos é economista. O Márcio médico foi inventado ou por mim ou por eles na hora da entrevista (não achei que valia a pena ir conferir de novo na fita).
      E na primeira parte da entrevista (link lá antes da foto) o Marcelo jura que o Benjão não chamou o violão do Bubu de violão viado, em um show lá dos primórdios de Jonas Sá com integrantes do Carne e do Tequila misturados. Para Marcelo, ele falou de violão de aço. Como eu acredito nas pessoas e fiquei com preguiça de ir conferir na fita, tá registrado aqui a desculpa/protesto.