Politicamente e até socialmente, as favelas brasileiras não são iguais às banlieues francesas. Excluídos aqui e ali, sim, mas de histórias e origens distintas, organizações e até problemas diferentes. Em Paris e arredores, o bicho pega e queima carros com um fogo de colonialismos, nacionalismos, religiões e imigrações de cores e bandeiras que não vão parar de faiscar. Aqui, o bicho pega em um elo fraco-forte da cadeia internacional de comércio de armas e drogas, e se alimenta de corrupção na polícia, nas administrações municipais e estaduais, tudo sustentado por uma pobreza secular.
      Mas, enfim, o que importa é notar como a favela daqui, vista de longe, vira símbolo de identidade e resistência do gueto, do rejeitado, do marginal. Nesse videoclipe de Rim’K, provavelmente via Cidade de Deus, Tropa de Elite ou Rio Baile Funk - Favela Booty Beats, o rapper francês junta as diversas banlieues da França e cria uma ponte com uma idéia de favela que é só mesmo um sentimento de protesto, uma marca, uma palavra de ordem pra dizer que - lógico - estão todos no mesmo barco de exclusão.
      Ou seja, favela é marca, é pop - mesmo que ainda no hip hop alternativo francês. E, por enquanto, por mais que eu goste da música, ainda é pra gringo ver e dançar.

      Via Apavoramento.