Apesar do nome Conjunto de Ska-Jazz de Nova Iorque e da qualidade de cada um dos integrantes da banda, foi impossível não sair da apresentação da NYSJE sem ficar impressionado com o ritmo que o saxofonista Rock Steady Freddie dá a cada passagem de música, a cada condução da banda com um olhar ou gesto, ou mesmo com a puxada em praticamente todas as músicas do repertório – já que a idéia de set list foi abolida. Ainda assim, o show passou longe de uma possível longa jam de improvisos. Se alguém que acha jazz chato tinha receios, mal deu para dar ouvidos a eles.
            Freddie foi buscar no Skatalites a inspiração para formar o que acaba sendo seu projeto- assinatura, já que em boa parte do resto do tempo ele dá aulas ou é contratado por outros artistas. Mas a NYSJE não é um Skatalites nova-iorquino com afinidades jazzísticas. Boa parte do show é bailão, e a pista do Odisséia pôde experimentar isso nas músicas de andamentos mais rápidos, pogando, pulando ou simplesmente dançando em par.
            Sem ficar restrito a formatos ou épocas, a festa acelera e diminui um pouco para respirar e reacelerar sem que dê tempo de pensar se aquela música ali é do Charles Mingus, do Duke Ellington, ou se é uma das que estão no myspace. Para os mais concentrados, e curiosamente o Odisséia se encheu de um público quase paulista nesse sentido (sem rixa de ponte aérea, digo isso da gente séria e estudada, a fim de só se entregar se o artista passar no teste do ao vivo), o show serviu também como panorama de skas tradicionais (first wave – a jamaicana), rock steadies, skas cantados e instrumentais, mais modernos (second wave – two tones, a inglesa) e mesmo de linhas de baixo e bateria coladas no dub. A vida dos puristas estava difícil de ser salva. Só não teve guitarra distorcida, para contemplar uma third wave californiana.
            A receita do ska-jazz ainda forneceu momentos de improviso que reafirmavam a condição de música dentro da música: bem contextualizados, mostras de técnica e de domínio da linguagem. No sax tenor, por exemplo, Freddie insistia em saltar a intervalos de mais de uma oitava para brincar com toda a extensão do instrumento. Em alguns momentos, fez um teatrinho até divertido, usando as duas mãos nas chaves de cima do sax para variar nas notas mais agudas, o que é totalmente desnecessário dado que existem atalhos nas chaves de baixo para o mesmo fim. Em outros, fez o grave do tenor bater no peito e voltar em mãos pro alto e quadris inquietos. De qualquer forma, o espírito do que ele falou aqui no sobremusica, essa semana, foi respeitado: no fim das contas, as pessoas gostam de boa música. Tktak-tktak…
            Para não dizer que nada fugiu das melhores expectativas, o trombonista Mark Paquin e Freddie passaram boa parte da primeira metade do show reclamando de retorno, e não perderam a oportunidade de mostrar uma boa dose da folclórica antipatia nova-iorquina ao resmungar que ninguém ali falava inglês. Naturalmente, muita gente entendeu o que eles diziam, mas achou por bem ignorar e se esbaldar.
            No bis, a presença de Bernardo B Negão contribuiu mais em carisma do que propriamente em som de classe, mas a festa estava garantida e a noite ganha. O Odisséia lotado voltou com sorriso aberto para casa.









            De se registrar as participações do Coquetel Acapulco, com um público conhecido e aliado, o Digital Dubs de graves e ecos dilatando a expectativa, o Djangos que recebeu a fila formada do lado de fora e mostrou que o que vem aí é de se aguardar, e a dupla de djs Bangarang dando aula de história com a pista em movimento.